Convocatória
Colegas estudantes das universidades federais:
A luta contra o REUNI em 2007 mobilizou estudantes em dezenas de universidades federais. Ocupações, atos, manifestações, protestos, confrontos com a polícia ocorreram. Uma mostra da disposição para enfrentar essa ameaça às nossas universidades federais e aos nossos diplomas.
O Diretório Acadêmico de Fonoaudiologia da UFBA (DAFono) tomou, no primeiro semestre deste ano, a iniciativa de se dirigir aos estudantes e entidades estudantis das universidades federais, assim como às executivas de curso, uniões estaduais de estudantes e a nossa entidade nacional, a UNE para construirmos uma contribuição coletiva sobre o significado real da aplicação do REUNI em cada universidade.
Nesta primeira edição publicamos nove contribuições de entidades e militantes do movimento estudantil de várias universidades federais. É a primeira sistematização dos resultados do REUNI organizada e documentada por entidades do movimento estudantil. Decidimos continuar a produção deste dossiê-denúncia, convidando estudantes e entidades das universidades federais a enviarem novas contribuições para uma segunda edição.
Qual a realidade da aplicação do REUNI?
A revolta dos estudantes existe como mostram os primeiros resultados da aplicação do REUNI.
Como relata um centro acadêmico da UFJF:
“No dia em que o REUNI foi aprovado, nos deparamos com cerca de 300 policiais “tomando conta” da reunião do Conselho Superior.“
A truculência policial se explica:
“O plano de expansão aprovado em nossa universidade prevê um aumento do número de matrículas, passando dos atuais 10.500 a 19.000 até o final de 2012, ou seja, cerca de 80% a mais de estudantes. Mas a verba destinada a essa expansão (48.660 milhões) representa apenas 20% do orçamento anterior ao REUNI“.
Quando uma estudante da pós-graduação da UFSCAR explica que por conta da aplicação do REUNI:
“decidiram retirar o curso de Biologia do seu prédio próprio para reformar o prédio para os cursos novos que estão sendo propostos. Isso sem nenhuma garantia de que teremos espaço para nossos laboratórios, nem sala para reuniões dos programas de extensão e nem para o centro acadêmico” não significa que há algo de muito errado com esse plano?
Em nossa própria universidade, já temos exemplos:
“é preciso ressaltar que os novos cursos implementados viriam com a proposta dos chamados ‘Bacharelados Interdisciplinares’ , onde, com a pretensa idéia de ter uma formação mais generalizada, destroem-se os diplomas profissionais, visto que o estudante sairia da universidade como bacharel em saúde – neste caso – ou em humanas artes etc., para os demais cursos. Ou seja, formado em nada! Pois, se para o jovem com o diploma profissional a inserção no mercado de trabalho já é difícil, imagine com um diploma que não garante nenhuma atuação específica!“
Quem são os responsáveis?
Como é possível que um governo eleito pelo voto da maioria do povo brasileiro aplique medidas como essas nas universidades brasileiras?
Como é possível que o ministro da Educação, Fernando Haddad, escolhido pelo presidente Lula diga em uma reunião com a Andifes (23/08/2007) que “acredita que a equação utilizada no Reuni não traz prejuízos para as IFES“.
Cada relato mostra os prejuízos!
Por isso devemos levar esses relatos para os responsáveis em Brasília, devemos divulgar eles em todas as universidades, para mostrar a verdade do REUNI.
A nossa entidade nacional, a UNE, em seu último Conselho Nacional de Entidades Gerais adotou uma resolução de apoio ao REUNI. Como é possível? É preciso mudar de posição imediatamente. É preciso se colocar ao lado dos estudantes das universidades federais para defender as IFES.
Ao mesmo tempo, setores do movimento estudantil que criticam a direção UNE e possuem posição pela revogação do decreto, permanecem imobilizados pela falta de iniciativa concreta. Por isso, chamamos a unidade dos estudantes através de uma ação prática para somar na luta pela revogação desse decreto indo até a capital federal exigir de quem pode fazer isso.
O que fazer?
É preciso colocar os interesses da nação brasileira em primeiro lugar!
É preciso colocar o movimento estudantil, todas as entidades dos CAs até a UNE a serviço dos estudantes, e isso hoje significa concretamente nas universidades federais exigir do governo Lula a revogação do REUNI.
Fica evidente que o REUNI não é um projeto cujo objetivo é desenvolver a universidade brasileira a serviço da nação. Seu propósito é desregulamentar/quebrar os diplomas profissionais, aumentar a “produtividade” as custas do aumento drástico do número de matrículas, sem o necessário aumento das verbas.
Com a publicação deste Livro Cinza do REUNI nos dirigimos a todos os CAs, DAs, DCEs, Executivas e Federações de Curso, UEEs e para todos os dirigentes da União Nacional dos Estudantes para apresentarmos os primeiros significados da aplicação deste decreto.
Colocamos para todos a seguinte questão:
Não é necessário organizarmos em nossas universidades uma campanha dirigida ao presidente da república exigindo a revogação do Decreto Nº 6096 que criou o REUNI? Não é necessário ainda nesse ano organizarmos uma caravana à Brasília com a exigência clara de revogação do decreto do REUNI?
Para discutir e organizar essa proposta convidamos todas as entidades estudantis para uma reunião nacional em 7 de setembro em nossa universidade (UFBA), em Salvador / BAHIA.
Defender nossos diplomas, nossa formação, nossas universidades: esse é o significado da luta pela revogação do Decreto Nº 6096. Organizem suas delegações!
Nos encontramos em Salvador/Bahia para discutir e organizar essa luta!
Vamos para Brasília exigir do governo Lula a revogação do decreto do REUNI!
Saudações estudantis,
Diretório Acadêmico de Fonoaudiologia – UFBA
Gestão: Form[ação]
Contatos: dafono_ufba@yahoo.com.br.